30 de ago de 2011

Afinal, o que é baianidade?




Expressão freqüentemente usada para definir características do modus vivendi dos baianos, mais especificamente, dos que nascem em Salvador e no Recôncavo da Bahia. Inserido no contexto da construção de tradições (HOBSBAWN e RANGER,1984) e de discursos identitários como forma de produzir coesão e consenso sociais, o conceito de baianidade representa uma imagem da Bahia, dos baianos e suas especificidades, adequando a busca da modernização capitalista que, neste verbete, se refere à industrialização ocorrida a partir da segunda metade do Século XX. A baianidade da primeira metade do século anterior, na obra de Jorge Amado e nas composições de Dorival Caymmi, expressa uma Bahia marcadamente bucólica e praieira, folclorizada através da preguiça e malemolência do baiano. Este perfil tornara-se contraditório às pretensões hegemônicas da industrialização e foi sendo superado em busca de um padrão identitário moderno, marcadamente urbano, adequado aos fast food’s da sociedade contemporânea e à modernização pretendida. Roberto Albergaria sintetiza: “... somos baianos quando nos convém”. E acrescenta que “quando não convém, somos homem, mulher, ocidental, ser humano, vivente se for ecologista... A identidade baiana é sempre parcial e minoritária. Mas, no mundo da hipermídia, da indústria cultural, da cultura do entretenimento, ela é conveniente”.



Sobre o espetáculo:

Durante nossas vivencias artísticas fora da Bahia nos defrontamos com outra Bahia que não conhecíamos. Para quem cresceu com carurus, abadás e perfumes dos dendês nas esquinas der Salvador foi difícil compreender tudo como metáfora folclórica ou simplesmente piada. Não compreendíamos a não compreensão de nossa cultura, talvez pela distância que afasta muitos deste colossal Brasil, ou pela simples ignorância da nossa diversidade.

O teatro da Cia de Risos foi sempre marcado pela discussão da opressão comportamental, somos porta-voz de diferentes formas de atitudes que colocam algumas minorias em desvantagens perante outras. Essa tem sido sempre nossa filosofia: manifestar com arte a opressão da discriminação. Nos firmamos em tirar da risada o caminho para o pensamento reflexivo e conseqüentemente construtivo. Ao longo destes 11 anos de trabalhos ininterruptos, fomos criticado, ignorados mas também compreendidos e absorvidos, fomos agentes transformadores de muitas cabeças cujas falas e depoimentos nos fizeram ganhar confiança e aumentar nossa certeza e estimas artísticas e filosóficas.

Nosso ultimo trabalho - Pretas Por Ter - foi criado para um ano de temporada e hoje completa 11 anos de estrada. Com quase dois milhões de espectadores, o projeto foi bem absorvido por discutir discriminação racial de forma bem humorada.

“Baianidade Baiana” surge da necessidade de amplificação deste ideal em tornar as palavras inquietude e nossa cultura firmamento absoluto desta ampla diversidade baiana e brasileira. Aos poucos fomos percebendo que o espetáculo era a resposta que podíamos dar às piadas que aprendemos a ouvir sobre nossa baianidade e sobretudo ao nordestino. O nativismo de nosso povo impulsionou a linha narrativa do espetáculo. O nordestino conhece, valoriza e consome sua cultura e através de personagens comuns, fomos tecendo o enredo de “Baianidade Baiana”, que tem a proposta de ser conduzido por dois personagens tipicamente baianos e através deles, contar brincando a nossa saga e colaborar para a mudança de percepção de quem acredita que baiano só é homem até meio dia...


Sobre a Cia. Baiana de Risos


Muitos foram os motivos para criação da Cia. Baiana de Risos: o gosto pelo teatro, o desejo de promover um trabalho que ampliasse nossas possibilidades de atuação, mas acima de tudo a vontade de usar nossa arte como ferramenta de discussão e mudança sócio-cultural. Sabemos o que uma voz em destaque pode fazer e temos certeza do que um bando de gente pensando do mesmo jeito pode conseguir.

A Cia. Baiana de Risos atua dentro e fora do palco. Em cena nossas galhofas são consumidas e refletidas, fora dela somos cientistas bisbilhoteiros que fazem de cada atitude alheia uma fonte de estudo.

A Companhia existe desde 1990 e durante cinco anos propusemos a ‘bisbilhotagem’ em tudo que fosse mérito num artista. Trabalhamos com personalidades em diversas linguagens de artes, buscando sempre o aperfeiçoamento e a compreensão do fazer teatro. Ao longo destes anos diversos projetos foram criados com o objetivo de fortalecer o que chamamos de TPB (Teatro Popular Brasileiro).


Artistas Gestores:

O principal deles é o projeto “Artista Gestor” que tem como principal finalidade, trazer para nossa sede (Rio de Janeiro) atores de outros estados, objetivando dar formação nas áreas de produção teatral e administração artística. Boa parte deste profissionais retornam para suas cidades com amplo conhecimento de gestão artísticas, outros seguem se aperfeiçoando. Ao todo, 50 artistas já foram beneficiados com o projeto, desde seu início em 1998.


Platéia Motivada:

Outro projeto que tem ampliado as platéias em diversas cidade é a ação “Platéia Motivada”: A Cia. escolhe em sua agenda as cidades que têm dificuldades de publico em seus espaços, e promovem ações dentro de escolas, universidades, performances de rua, oficinas de humor e intervenção em salas de aula. Esta ação já ocorreu em mais de 30 cidades (Bahia, Espírito Santos, Minas e Rio). Em muitas daquelas cidades a freqüência em espaços culturais aumentaram em até 35% por cento (segundo informações das próprias secretarias de Cultura locais). Desde 2009 realizamos, nos meses de janeiro e fevereiro, uma Mostra de Humor em duas cidades. Em 2011, graças ao sucesso do projeto, ampliamos para quatro cidades (Porto Seguro, Rio das Ostras, São Pedro da Aldeia e Cachoeira de Macacu). O projeto tem como objetivo principal criar uma programação que possa envolver artistas, administradores e comunidade em torno de um tema comum: o humor e suas contribuições artísticas e sociais. Neste ultimo ano estamos incluindo oficinas, palestras e a montagem de espetáculos com atores locais.


Livro Rabo da Gata:

Dentro das diversas pesquisas que fizemos sobre tipos populares, uma delas resultou da criação de um livro. A partir de nossas vivências, pesquisas e memórias montamos um relato da vida e da cultura dos moradores do bairro Rabo da Gata em Camaçari, cidade de um dos integrantes da Cia. A apresentação do livro é de Lázaro Ramos e Neuza Amaral.



Cinema e Vídeo:

Dois projetos marcaram muitos nossas incursões na área de cinema e vídeo. O primeiro foi realizado na Bahia com O Bando de Novos Atores na cidade de Dias D’ Ávila. O trabalho reuniu cerca de 80 adolescentes da comunidade que através dos integrantes da Cia. Baiana de Risos tiveram aulas de interpretação e produção de vídeo. O resultado foi a produção do vídeo “É Niuma?!” sobre gravidez na adolescência. O trabalho foi exibido pela TV Bahia e teve o apoio da Treze Produções. O segundo projeto foi realizado na comunidade dos Prazeres no Rio de Janeiro, a convite do Instituto Pólen. Diversas atividades foram realizadas com jovens da comunidade que além das oficinas de interpretação (teatro e cinema) tiveram aulas técnicas para produção de cinema e vídeo. O projeto teve o apoio da produtora Mid Mix e do cineasta José Padilha que cedeu cenas do filme Tropa de Elite para ilustrar o documentário “O que temos pra Dizer”.



Os Diretores:


Alberto Damit é natural de Dias D’ Ávila. Fez escola de teatro da UFBA, trabalhou com Cilene Guedes, Alberto Martins, Moacyr Moreno, entre outros, e foi criador do primeiro grupo de teatro de sua cidade.
No Rio de Janeiro trabalhou no musical “O cortiço”, dirigido por Sérgio Britto; participou ao lado de Fernanda Montenegro do Filme “Chão de Estrelas”, de Marcos Faustini, e dos filmes “Cólera de Abutre”, e “O Rapto da Manteiga de Garrafa”. Como Cineasta dirigiu o média-metragem “Mamãe foi pro Espaço”, e os curtas “Cão”, “Minha terra tem palmeira, zueira e baile funk” e “É Niuma”.
Na TV Globo fez as novelas e minisséries: “Rei do Gado”, “Torre de Babel”, “Zorra total”, “O Clone”, “Sob Nova Direção”, “A Lua me Disse”, “ A Favorita” e “Caras & Bocas”.
No teatro foi diretor de: “Auto da compadecida”, com o Bando de Novos atores; “O segredo de Esmeralda”, com Neuza Amaral; “Pelega e Porca Prenha”, com a Cia dos Zoneiros (prêmio de melhor direção no Festival Carioca de Teatro) e “Eu sou Romeu”, com Yuri Velanski.
Na Cia de Risos assinou em parceria com Marco Antonio Lucas os espetáculos: “Pretas Por Ter”, “A Velha na Janela” e “Seqüelados”.
Marco Antonio Lucas é Natural de Macaíba (RN). Firmou-se como diretor após trabalhar longo período como ator. Inspirado por Franz Kafka, Nelson Rodrigues e Tonico Pereira desenvolveu seu olhar criador. Com a Cia Encena produziu diversas pesquisas, usando a dialética no teatro como ferramenta motora de transformação. Foi assim que ganhou em 1990 o prêmio de melhor ator com “Metamorfose” de Kafka no Festival da FETAERJ. Em 1996 foi convidado por Rogério Rodrigues para produzir e protagonizar “Compendium Maleficarum”, resultado de uma pesquisa sobre a Inquisição Francesa no Centro Cultural dos Correios. Além de atuar e dirigir também desenha figurinos para teatro e cinema. Foram dele os figurinos de “Conta um Conto” de Alexandre Damascena; do musical “A Onça e o bode” de Marco Santos e “Pelega e Porca Prenha na Mata do Pequi”, da Cia dos Comuns. Em cinema fez “O mensageiro de Arben” de Fulvio Maia; “Mamãe foi pro espaço”, de Alberto Damit; “Lost Zweig", de Sylvio Back e o curta-metragem “É Niuma!?”, de Vanclei Santos.



Os atores:

Marcos Magno

Antes de integrar o elenco de “Pretas Por Ter” foi fundador e integrante por 7 anos do Bando de Teatro Resistência, onde participou dos espetáculos mulheres@.com, “Dom Quixote”, e “As Bondosas”, com o qual excursionou pelo Brasil e Portugal.
Foi premiado como melhor ator em festivais de Teatro de Minas Gerais, Curitiba, Alagoas e Sergipe, pela atuação nos espetáculos “A Moça que bateu na mãe e virou cachorra” e “Dom Quixote”.
É um ator versátil por aliar técnicas circenses ao teatro convencional e atuar em diversos veículos. Em Cinema trabalhou no filme “É Niuma”, já em televisão atuou em diversos programas da TVE Baiana e no caso “Amor Platônico”, do programa Linha Direta, além da novela “Duas Caras”, ambos da TV Globo.


Anderson Sarayva

Foi ator do bando de teatro “Novos Atores Baianos”, onde participou dos espetáculos “Auto da Compadecida”, “Saltimbancos” e “Qual é?!”. Mudou-se para o Rio de Janeiro, ao ser selecionado para integrar o Instituto “Nossa Senhora do Teatro”, sob direção de Ricardo Andrade. Ali participou de diversas atividades como: “Imersão Teatral” (evento que aconteceu na Aldeia de Arcozelo); e dos espetáculos “Trinta e Sete Barra Trinta e Oito”, “Potes de Vidro” e “O Doente Imaginário”, de Molière.
Trabalhou durante três anos no espetáculo “Pretas por Ter”.
Em Cinema fez os filmes: “É Niuma”, de Alberto Damit; “Caipora”, de Vanclei Santos, “O Que Temos pra Dizer”, de Alberto Damit e “Ressaca”, de Bruno Vianna.



Teatro como ferramenta de evolução:
O teatro é uma linguagem poderosa, com alto poder de síntese e possibilidades. É capaz de proporcionar impacto múltiplo e diversificado. É diverso, porque foge do padrão habitual e expõe o indivíduo a uma quantidade considerável de estímulos, que raramente se encontram em outras situações.
O teatro é capaz de gerar um registro muito mais consistente na memória, ao atingir o espectador em três níveis: racional, emocional e estético. Portanto, quando utilizado em um programa de treinamento, resultará em alto índice de assimilação e retenção do conteúdo pelas equipes.
Ressaltamos abaixo alguns dos aspectos singulares da apreciação teatral:


.Uma peça de teatro é mais eficiente que um treinamento convencional, porque pode ser vista, ouvida e sentida. Possibilita apresentar cenas com situações, conceitos e idéias, que estimulam a adoção de uma nova postura profissional, interferindo efetivamente na cultura da empresa.
. A identificação despertada pela experiência teatral cria empatia com os personagens e com as situações retratadas.
. O potencial emotivo é maior do que em outras linguagens. A informação no teatro não é fria. Todo o conteúdo veiculado impele ao envolvimento com as situações abordadas.
. Assistir a uma peça é participar de um jogo prazeroso. O teatro diverte educando.
. O poder de síntese da linguagem cênica lança mão de recursos expressivos próprios da linguagem teatral e ela permite um extenso conteúdo informativo em pouco tempo.
. O teatro, embora seja ensaiado previamente, sempre tem espaço para o inesperado. A relação dos atores com os espectadores é variável em cada apresentação. É nisto que reside o encantamento desta arte perene.
. A peça é elaborada e/ou adaptada segundo as necessidades e expectativas da empresa.


Desta forma, todos que tem acesso a um espetáculo poderão estabelecer um clima de satisfação fundamental para o sucesso dos negócios; obter comprometimento com a preservação da imagem da empresa; aumentar a agilidade nas respostas para as diferentes solicitações dos clientes e fornecedores, construindo e solidificando a confiança dos mesmos


Ficha Técnica:


Texto
Alberto Damit

Direção
Marco Antonio Lucas e Alberto Damit

Elenco
Marcos Magno e Anderson Sarayva

Figurinos
Marco Antonio Lucas

Cenário
Luci Azevedo

Iluminação
Weslley Brito

Preparação Corporal
Leonardo Pamplona

Fotografia
Vitor Mota

Assessoria de imprensa
André Firmino

Programação Visual
Anderson Sarayva

Produção Executiva
Bruno Machado



Direção de Produção
Alberto Damit




Dias: 29 e 31 de Julho,Sexta e Domingo, ás 20:00 ,no Teatro Municipal de Ilhéus



Ingresso antecipado no Carioca e na bilheteria do TEATRO



Antecipado e meia: R$ 10,00, na hora/ inteira R$20,00




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